Neste final de semana nos dias 21 e 22 de outubro, em função dos 500 anos da Reforma Protestante, a Terceira Igreja Presbiteriana de Belo Horizonte promove uma programação voltada para o tema com preletores hábeis no assunto.  No sábado (21), a partir das 20h ouviremos do Pastor Luiz Felipe, professor no Centro Universitário Metodista Izabela Hendrix e na Faculdade Batista de Minas Gerais. No domingo (22), em dois horários, às 9h e às 18h, terá a participação, respectivamente, do Reverendo Leonardo Leão, professor no Seminário Presbiteriano de Belo Horizonte e do Reverendo Ulisses Horta, diretor do Seminário Presbiteriano de Belo Horizonte. Também como convidado, Guilherme Andrade (Projeto Sola), ficará encarregado da participação musical trazendo canções no estilo Folk Music com letras fiéis às Escrituras Sagradas.

Elaboramos uma entrevista com o Assessor Jurídico no Ministério Público Federal e Professor Universitário de Direito Constitucional e Teoria do Direito no Instituto Izabela Hendrix, Bernardo Augusto Ferreira  Duarte, protestante da Terceira Igreja Presbiteriana de Belo Horizonte. Leia os apontamentos que o entrevistado faz a um dos maiores movimentos históricos de reforma:

 

O que marca essa data como Reforma Protestante?
Nesse dia, a 500 anos, Martinho Lutero fixou 95 teses na Porta da Igreja em Wittenberg.

Quais lições, preliminares, você listaria sobre a Reforma Protestante?
Não podemos esquecer que a Reforma é um evento histórico da manifestação do Espírito Santo. Ele quem possibilitou um discernimento acerca do desvio da Igreja ao padrão das Escrituras; Ele é o pilar da retomada da centralidade bíblica na Igreja, a mola propulsora de um reajuste da doutrina (ortodoxia) e da conduta do cristão (ortopraxia) trazendo, literalmente, uma revolução em favor do povo (tradução da Bíblia) e do indivíduo (livre acesso às Escrituras) com reflexos societários ao redor do mundo. 

Como você classificaria o movimento da Reforma Protestante?
A Reforma é, sem dúvida, um evento histórico com reflexos para além do domínio religioso. Ela apresenta, no mínimo, uma interface com a Revolução Filosófica da Modernidade e no campo da Ciência Política. 

O que você citaria como base bíblica a esse movimento? Você poderia citar alguns versículos?
Ao longo da história bíblica temos vários “reformadores” chamados de profetas que apontam e culminam no Ministério de Jesus Cristo com o cumprimento da Lei (Mateus 5.17 e João 3.16), o chamado ao ajuste de comportamento (Mateus 23.1-36) trazendo um alerta sobre o que deve ser a Casa de Deus (Mateus 21.12 e Marcos 11.15-19). 

Para você, a Reforma do Século XVI datada de 31 de outubro de 1517 teve antecedentes?
Com certeza. Posso, inclusive, me remeter a Atos 2 e começar com a descida do Espírito Santo, o crescimento da Igreja e as primeiras perseguições, advindas dos Judeus até o ano de 60 d.C. e dos romanas, do ano 64 ao ano 313 em que cessa a perseguição e o Cristianismo é declarado a religião do Império, uma espécie de Catolicismo Universal. Os antecedentes mais próximos foram as indulgências (a venda do perdão dos pecados) e o levante de homens como John Wycliffe, John Huss, Guilherme de Ockham e Jerônimo Savonarola entre outros.

O fato do Cristianismo ter se tornado religião oficial do Império trouxe algum impacto?
Como cristão, posso separa em vantagens e desvantagens. O primeiro bloco é que colocou fim às perseguições, ao confisco dos bens dos cristãos, às necessidades de cultos secretos e trouxe oportunidade para a propagação do Evangelho. O segundo bloco, ou seja, as desvantagens vieram com o ecletismo e desfiguração gradativa da Igreja, a conveniência do Cristianismo em decorrência dos favores do império, a Instituição do Papado em 607 e o distanciamento da centralidade da Bíblia.

Existe algo que podemos enumerar como pilares da Reforma?
Sim. Os chamados cinco “solas” ou “somente” da Reforma. Somente as Escrituras (Sola Scriptura); Somente a Fé (Sola Fides); Somente Cristo (Sola Chistus); Somente a graça (Sola gratia) e glória somente a Deus (Soli Deo Gloria).

Por fim, o que se pode concluir da Reforma?
Podemos concluir que é fundamental aprender e conhecer plenamente a história da Reforma Protestante de forma que sua essência e contexto revelem aos credores da fé cristã a necessidade de total dependência no Deus Criador e na Sua Palavra.